Articulação de Mulheres Brasileiras apoia a Ministra Iriny Lopes

10 out

NOTA DE APOIO E DESAGRAVO A MINISTRA IRINY LOPES

Em meio às críticas e ataques à ministra Iriny Lopes que foram veiculadas recentemente, a ARTICULAÇÃO DE MULHERES BRASILEIRAS soma-se às pessoas e organizações que apóiam a atitude da ministra de requerer a suspensão da exibição da propaganda ‘Hope Ensina’:

- entendemos que a ministra cumpriu sua responsabilidade de dar consequência ao funcionamento da Ouvidoria da mulher, que recebeu muitos pedidos neste sentido;

- conferiu legitimidade aos mecanismos democráticos de auto-regulação do setor publicitário ao recorrer ao CONAR, órgão de auto-regulação da publicidade;

 - formulou e expressou sua crítica política à campanha publicitária de forma consistente e respeitosa sempre que questionada pela imprensa.

Quanto a campanha ‘Hope Ensina’, consideramos ao contrário, que esta  prima pelo desrespeito às mulheres, assim como seus defensores, que expressam suas posições de forma jocosa e desrespeitosa para com todas as mulheres e para com a ministra.

Diferente de algumas campanhas publicitárias de lingerie que optam pela delicadeza, a campanha ‘Hope Ensina’ escolhe o caminho fácil da provocação às mulheres como tática para chamar atenção para sua marca. Este é um estratagema tão antigo quanto o modelo ‘bonequinha-tola-submissa-dependente-consumista’ que a campanha propõe para as mulheres. Uma total falta de sintonia com o que almejam para si mesmas a grande maioria das mulheres brasileiras do século XXI.

Quanto a reação à crítica da ministra, esta é apenas mais uma expressão do pensamento conservador machista, incapaz de compreender  a idéia de liberdade para além do liberalismo de mercado, e incapaz  de pensar um lugar não-subordinado para as mulheres no mundo.

Louvamos a prática da Secretaria de Políticas para Mulheres de manter sua atuação governamental no plano da cultura política ao mesmo tempo que parabenizamos a ministra Iriny Lopes pela firmeza com que tem sustentado esta posição.

ARTICULAÇÃO DE MULHERES BRASILEIRAS, 10 de outubro de 2011

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Tenho orgulho da LGBTTT

28 jun

Hoje é dia do Orgulho Gay e, como já me chamaram de lésbica por defender a comunidade LGBT, posso dizer que tenho Orgulho da Comunidade LGBTTT – ora, posso dizer que tenho orgulho de ser chamada de lésbica também!

Homossexuais, bissexuais, transexuais, transgêneros são pessoas que todos os dias são discriminadas e agredidas por sua sexualidade e identidade de gênero, mas não desanimam, não se deixam abater e reúnem um número espetacular de pessoas para festejar o orgulho de ser o que é, como é, de não baixar a cabeça diante da dificuldade que é ser diferente em nossa sociedade tão preconceituosa.

Eles e elas estão aqui e em todo lugar, são filhas e filhos, professoras(es), médicas(os), advogadas(os), mães e pais, tios e tias, avôs e avós etc e não adianta fingir que não vê a maneira como são tratados, não adianta fingir que el@s não existem, não adianta torcer o nariz, pois estão aqui , e é para estarem mesmo.

Eu tenho orgulho da mobilização e das conquistas que o grupo LGBTs vem alcançado e sempre irei ajudá-los, e não adianta você me achar sapatão por isso, ser lésbica não é ofensa para mim, ao contrário, fico feliz que achem isso quando luto por elas, minhas amigas lésbicas, e também pelos amigos gays, pois significa que incomodo, que estou tocando na ferida e a pessoa por não aceitar que alguém heterossexual como ela se misture com os homossexuais quer desclassificá-la chamando-a de homossexual também, mas veja só, eu te agradeço por isso e não deixarei de lutar ao lado del@s até que tod@s possam andar pelas ruas acompanhados sem sofrerem agressões ou discriminações; até poderem beijar a(o) namorada(0) sem que isso seja motivo para xingamentos ou coisa pior; até que jovens não se sintam mal por serem o que são; até que adolescentes não pensem em se suicidar por medo de a família, amigos e sociedade não o aceitarem por ser diferente; até que no mundo todo, homossexualidade e transexualidade deixe de ser vista como anomalia, ao ponto de ser condenação à morte.

Até que tod@s sejam livres para viverem sua homossexualidade e/ou transexualidade com dignidade, eu apoiarei e terei orgulho da comunidade LGBTTT. E até depois disso também!

E tenho vergonha dos heterossexuais que acham que pedir para ser tratado com dignidade é pedir tratamento especial, tenho vergonha das pessoas que humilham e perseguem alguém por ser diferente, tenho vergonha de pertencer a uma maioria tão opressora que não reconhece seus privilégios de heterossexuais e não permitem que uma minoria goze de direitos básicos dos cidadãos como o de ir e vir sem sofrer agressões.

Este post é uma palha para a Blogagem Coletiva do Dia do Orgulho LGBT!

 

 

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Hoje é um dia muito importante

18 mai

Hoje é o dia mais importante do ano, pois em 18 de maio nos mobilizamos pelo Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. E tem algo mais importante do que proteger o futuro?!

Você sabe por que escolheram o dia 18 de maio para ser o dia nacional de combate desse tipo de violência?

Porque em 18 de maio de 1973 a menina de 9 anos, Araceli Cabrera Crespo, sumiu da escola e, quando seu corpo foi encontrado desfigurado por ácido e com indícios de violência sexual, descobriram que o caso era ainda muito pior do que já parecia.

Araceli foi espancada, drogada e estuprada em orgias, além de ter sido desfigurada com ácido, por filhos de famílias poderosas, então ninguém quis comprar essa briga por anos, e ainda quando o caso foi desengavetado por corajosas pessoas que buscavam justiça, os criminosos foram inocentados pela polícia e juízes corruptos.

E se você ficou chocado com isso, saiba que esse foi apenas um caso, pois várias meninas na mesma faixa etária foram drogadas e violentadas por esses criminosos por vários anos.

Mas não quero ficar falando desses crimes hediondos, quero que você que está lendo e se indignando com essa única história (e espero que esteja!) pense no que pode fazer para que isso não ocorra mais, pois, atualmente, inúmeras crianças e adolescentes, meninas e meninos, são vítimas de crimes de abuso e exploração sexual. E eu quero saber o que estamos fazendo sobre isso. Você tem usado o disque 100?

Disque 100 é o canal do governo que recebe denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes.

Se você sabe de alguma criança ou adolescente que está sendo prostituída, não vire as costas e diga que o mundo é cruel mesmo, faça algo a respeito. Vá a polícia! Ou disque 100.

Se você conhece alguém que estupra crianças ou adolescentes (ou fazem sexo, como chamam, no caso de crianças e adolescentes prostituídas), denuncie esta pessoa, pois é crime! Não seja cúmplice, disque 100.

Não fique apático diante de um crime hediondo como esse, faça algo a respeito. Não proteja o criminoso, proteja a criança/adolescente. Disque 100.

Não feche os olhos por não ser com alguma criança de sua família, até porque, pode sim estar acontecendo com alguma criança bem próxima de você. Disque 100.

Fique ligado, se você sentir que uma criança está sofrendo algum tipo de abuso, denuncie. É de graça e salvará uma criança. Dique 100.

Não feche os olhos, não finja que não viu, não ache que é imaginação sua, pois essa criança precisa de você, denuncie, disque 100.

Haja o que houver, não se esqueça de falar por essas crianças e adolescentes, divulgue o disque 100 e proteja nossas crianças.

Eu já usei o canal, às vezes você demora para ser atendido, mas essa demora compensa quando você vê uma criança/adolescente sendo salva. O que são poucos minutos de sua vida perdidos em uma ligação comparados com horas de sofrimento de uma criança ou adolescente? Disque 100.

Não importa se o criminoso é seu/sua marido, esposa, pai, mãe, tio, tia, avô, avó, irmão, irmã, amigo, amiga. Se ocupa cargo de juiz, presidente etc. se ele(a) está abusando ou explorando uma criança ou adolescente, denuncie, disque 100.

Aqui fica meu apelo em nome das milhares de crianças e adolescentes que estão, nesse exato momento, precisando da sua ajuda para ser protegido dessa violência. Disque 100 e salve nosso futuro.

Nos links abaixo você pode saber mais sobre o tema:

Araceli Cabrera Crespo

Campanha disque 100

Programação 18 de maio

programação 18 de maio

Canais para mais informações de como proteger nossas crianças:

Criança e Consumo

Censura

Carinho de Verdade

Childhood Brasil

Fundação Abrinq

DISQUE 100

Conto que você fará sua parte. Não seja omisso. Disque 100.

Religião e Homossexualidade

22 abr

Ontem eu li um poste da Lola Aronovich intitulado “Assim me diz a Bíblia“, no qual me deu vontade de compartilhar um episódio que ocorreu comigo e minha sobrinha de 4 anos – que no episódio tinha 3. Porém, ao enviar o comentário, apareceu a mensagem de que ela não foi enviada por ter mais de 4.000 caracteres, cortei uma parte, tentei resumir mais, mas ainda assim aparecia a mensagem de que tinha mais de 4.000 caracteres. Então pensei: “oras, se tem tantos caracteres assim, farei um post em meu blog!” – E cá estou para contar-lhes uma história e lhes sugerir a leitura do texto de Lola.

Há alguns dias, talvez semanas já, minha sobrinha mais velha (tenho mais uma sobrinha e um sobrinho bebês) de então 3 aninhos de idade (a idade é importante, lembre-se dela!) estava mexendo no YouTube e vendo clipes de músicas americanas e descobriu a Katy Perry através do clipe Firework – ela também curte Justin Bieber, Black Eyed Peas, Avril Lavigne, Chiquititas, Restart, Marisa Monte, entre outros, que nós apresentamos para ela, assim como fazemos com vários estilos de músicas, mas é ela quem escolhe as que gostou ou não, não importando o quanto a gente diga que esta é ruim ou aquela é boa – pois se fosse, ela adoraria Mariah Carey por minha causa!

Mas voltando ao clipe em questão, Firework, recomendo também que leiam a letra (aqui a tradução), pois o clipe – um dos poucos – é totalmente construindo em cima da letra.

Nele, aborda-se questões bem corriqueiras entre adolescentes e jovens como a aparência, brigas entre pais, a sexualidade, o bullying etc. Tem uma jovem acima do peso que tem vergonha de tirar a roupa e entrar na piscina com os amigos em uma festa; tem um jovem triste em um canto de uma festa porque se sentia ‘peixe fora d’água’ devido sua homoafetividade – isso descobrimos depois, até então ele é apenas um jovem triste num canto de uma festa.

Eis que quando a Katy começa sua mensagem de que cada um de nós é importante do jeito que é, que não devemos nos envergonhar disso e que devemos nos mostrar como somos e sermos orgulhosos, e então o rapaz gay levanta e caminha em direção a outro rapaz e o beija, e é correspondido – agora parem tudo, pois aqui ocorre a parte mais importante de minha história! Minha sobrinha – lembram a idade? – que estava assistindo esse clipe (e eu estava vendo apenas para policiar o que ela estava assistindo por razões óbvias e ainda não conhecia esse clipe da Katy Perry) sem muito interesse até as faíscas saírem das pessoas e ela achar legal as pessoas brilharem como fogos de artifício, ficou em choque, com olhos arregalados e com uma expressão de total surpresa sem resquício de nojo ou alegria ao ver uma cena de dois rapazes se beijando, e então ela vira para mim, observando a minha reação e diz: “doi meninos se beijando! Não pode…”  - ainda aguardando o meu parecer para algo tão novo e no qual já taxou como errado devido influências externas (ela adora histórias de contos de fadas e da Barbie, e nem preciso dizer que em todas essas histórias não há casais homossexuais, e ela nunca viu um casal homossexual demonstrando afeto ao vivo e já viu inúmeros casais heterossexuais se beijando em sua frente, portanto, já presumiu que não era certo (e veja como faz toda diferença a reação/comportamento de um adulto nessas horas – arrisco-me a afirmar que é decisivo), e a minha reação foi neutra, pois para mim a cena não significava nada, seria a mesma reação ao ver um casal heterossexual se beijando, e notei que isso a deixou apreensiva – juro que ela ficou tensa! – e a cena já tinha passado há tempos. Foi então que resolvi abordar o tema já escolhendo a melhor forma de me fazer ser entendida devido sua curta idade. Primeiro eu ri e então falei “ele gosta do rapaz e o rapaz gosta dele e querem ser namorados, e namorados se beijam na boca” Sua reação foi rir e indagar “mas menino pode namorar menino?” e eu respondi “sim, pode, menino pode namorar menino ou menina, e menina pode namorar menina ou menino, basta os dois serem grandes e gostarem um do outro dessa forma…” Ela se deu por satisfeita com minha resposta e comentou nas outras três vezes em que assistiu ao clipe seguidamente que os rapazes estavam se beijando. Depois do choque, veio a dúvida, depois veio o graça, e então veio a normalidade – sempre me observando na parte em que os rapazes se beijavam – e me chamando nessa parte para que eu visse, caso não estivesse ao lado dela.

Além da questão dos rapazes gays, ela me perguntava sobre tudo que acontecia no clipe “por que o menino está triste?” “Por que a menina está triste?” Por que a mamãe está chorando?” Por que ele está descalço?” Por que estão correndo?” “Por que sai luz deles?” etc e claro que respondo a tudo de forma que ela entenda, meio superficialmente, pois na idade dela ninguém se prende a detalhes demais. Ela sempre faz isso com todos os clipes em cenas que ela não compreende, e faz isso nas primeiras vezes em que vê o clipe, seguidamente. Depois que ela compreende o clipe, ela passa a se concentrar na música e a tentar cantá-la, e depois parte para outro, mas nos dias seguintes volta ao clipe recém descoberto.

Então, no dia seguinte, ela quis ter a sessão YouTube dela, na qual normalmente estou sempre presente, e pediu para por o clipe dos fogos da Katy Perry. Dessa vez, na parte em que os meninos se beijaram, ela foi até seu quarto e pegou dois bonecos dela – dois Kens – e fez os dois se beijarem na boca “olha, se beijam como os dois meninos do filme” ela me disse – novamente observando minha reação que foi a mesma referente ao clipe, neutra. Eu balancei a cabeça e disse “é, eles estão namorando também”.

A partir daí, ela passou a pegar todas as bonecas e bonecos e formar pares homossexuais e heterossexuais e me mostrava. As Barbies se beijavam e ela dizia “meninas também podem?” – eu dizia “claro que sim, dois adultos podem namorar se se gostarem, homem ou mulher, tanto faz” – devo fazer uma adendo aqui, sou contra crianças namorando, ainda que saiba que é inofensivo, sem qualquer malícia, mas acho que é contraditório você achar lindinho uma criança de 3 anos namorando, quando acha que aos 10 não é apropriado ainda, pois gera a dúvida na criança: “como posso ser nova(o) para namorar aos 10 se quando tinha 3 achavam lindo?” e não gosto da sensualização precoce das meninas e dos meninos – mas isso é tema para outra hora.

Agora, lá em casa, nós vemos casais de todos os tipos em suas brincadeiras, mas a maioria ainda é heterossexual e não vejo problema nisso, pelo menos ela sabe que existem comportamentos diferentes desse e que são normais também.

E qual a minha intenção com toda essa história? Se não ficou óbvia, esclareço.

Nós somos produtos do meio também, e mesmo quando não falamos para uma criança sobre o que é certo e o que é errado, ela toma os exemplos – os comportamentos dos adultos e vai se moldando, quando ela tiver uma atitude considerada inapropriada, certamente será por já ter visto alguém fazendo isso ou por já tê-lo feito e não ter sido recriminada, da mesma forma como ela formará conceitos sobre comportamentos errados e acertados ao ver a reação dos que estão a sua volta diante destas situações.

Minha sobrinha, agora com 4 anos, acha normal ver um casal homossexual, como também acha normal meninas e meninos brincarem com os mesmos brinquedos e brincadeiras – pois já foi mostrado para ela que meninos e meninas são iguais, com exceção da diferença biológica da vagina e do pênis, e que podem brincar da mesma maneira, com as mesmas brincadeiras, portanto, ela brinca desde casinha e com bonecas, até correr e pular com meninos e brincar de lutinha e com espadas. Prefere vestidos e gosta de histórias em que tenha ação, mas sabe que pode usar roupas tidas como masculinas, e sabe que ela pode ser desde a inútil da princesa até a heroína, e até mesmo intercala os papéis em suas histórias imaginárias – sendo que na maioria das vezes, ela salva o príncipe – e agora até a princesa!!! Ela é livre para ser o que quiser ser, ela já sabe disso, e quando tem alguma dúvida, sempre fica atenta aos adultos que estão a sua volta – você nem precisa falar nada, ela nota sua atitude diante de um acontecimento.

Perceba como tudo influencia uma criança – se antes ela achava errado um comportamento homossexual ou meninas brincarem com brinquedos de meninos (e achar que existia essa diferença) – ela agora brinca e ainda responde se alguém a recriminar.

Tenho mais uma história relcaionada a esse tema, mas essa foi relatada por minha irmã.

Ela disse para minha irmã – mãe dela – que tem três namoradinhos – ela fala isso rindo, sempre – minha irmã fala que ela não pode ter namorados ainda, só quando crescer, mas pergunta quem são os namorados, ao que ela responde três nomes da turma dela: dois meninos e uma menina. Minha irmã diz para ela “mas a fulana é menina, por que não escolhe um dos meninos apenas?” ao que ela responde prontamente “a tia Daniela disse que pode” se referindo a ter tanto menino quanto menina como namorado(a), ao que minha irmã retruca falando “mas só quando você for grande e só pode escolher um “ – ela escolheu um menino – ela adora o garoto, diz que ele é dela e que são príncipe e princesa e vão para um castelo – olha aí a influência dos contos de fadas, ela não disse que o que falei era errado. Depois minha irmã me contou esse caso e eu contei a ela a história que envolve o clipe da Katy Perry – ela não faz objeção, apesar de ser do time que diz que aceitaria se um(a) filho(a) fosse gay/lésbica sem problema, mas que preferiria que fosse hetero por ser mais simples (o que entendo, mas não concordo).

Talvez seja importante esclarecer que somos brancas, de classe média, heterossexuais e que ela é cristã – inclusive minha sobrinha estuda em escola católica, pois minha família é católica em sua maioria, e a pequena já aprendeu vários comportamentos sexistas em sua curta vida nessa escola, mas eu sempre reverto a situação, com conhecimento da minha irmã – apesar de discordarmos em alguns pontos, ela prefere que eu aborde certas questões que ela não tem tato ou conhecimento necessário para elucidar.

Alguns familiares e pessoas próximas que souberam de toda essa história acharam que eu não deveria dizer que não tinha problema um relacionamento homossexual, e a maioria dessas pessoas se considera “mente aberta” e não homofóbicas, que tem amigos e até familiares gays etc, mas me parece que isso só vale com desconhecidos ou até certo ponto, há um limite e se fosse uma delas que estivesse ao lado de minha sobrinha quando ela ficou espantanda por dois rapazes se beijarem, provavelmente teria feito algum comentário antipático em relação ao comportamento – e agora me diga se ela estaria brincando com suas bonecas e bonecos montando casais tanto hetero quanto homossexuais se isso ocorresse? Claro que não, no mundo dela só existiram casais heterossexuais, esse comportamento seria o único concebível e quando se deparasse mais tarde com outro tipo de comportamento agiria preconceituosamente – o que não a impediaria, ainda assim, de refletir sobre a diversidade e observar que pessoas são diferentes em vários aspectos e aprender a conviver com isso.

É assim que vejo a questão da religiosidade também, sei que vão achar que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas para mim tem o mesmo princípio. Eu não percebo o plano espiritual ou divindade como algo importante, e inúmeros conceitos religiosos me são absurdos e outros tantos pura tolice, mas não viro para nenhum crente que conheç0 e debocho ou recrimino sua opção de acreditar em tais coisas, muito menos quero que ele deixe de acreditar em tudo isso e converso abertamente sobre o tema se ele quiser, sempre o respeitando. Então exijo o mesmo respeito.

Isto se aplica também a nossa complexa sexualidade. Sou heterossexual e não tenho problema com a homossexualidade, e entendo que pessoas não tenham sido educadas para ver normalidade na homossexualidade – apesar de que eu também não fui e nada me impediu de perceber que o fulano gay/a fulana lésbica tem todo o direito de expressar o que sente da mesma forma que eu, e que possui os mesmos deveres e direitos que eu, inclusive o de respeitar e ser respeitado, simples assim – e sei que algumas pessoas são educadas a pensar que é abominável, pecado etc(e quem ensina isso? e por que acredita nisso?), mas somos seres humanos pensantes(?), estamos sempre descobrindo coisas, já desmistificamos vários mitos, e todos sabemos o que é respeitar, então não há como aceitar que tantos religiosos (ou homofóbicos) se sintam no direito de impedir que homossexuais exerçam seus direitos – concedidos desde o nascimento – e desrespeitem um homossexual chamando-o anormal e doente, que o agrida, bata, humilhe ou cerceie. Perversidade é perseguir, condenar, humilhar e matar outros seres humanos e não amar ou sentir-se atraído por pessoas do mesmo sexo.

O que é a “liberdade de expressão”?

29 jan

O termo “liberdade de expressão” é antigo e comumente ansiado em ditaduras, esses locais em que não podemos criticar o governo e suas ações, em que não podemos nos opor a nada sem sermos severamente repreendidos (o que tem acontecido atualmente no Egito), ou seja, é um movimento libertário, para devolver a voz, o direito de dizer que não concordamos com determinadas atitudes dos que estão no comando do país (ou outro local que é de muitos).

Mas há algum tempo me parece que a “liberdade de expressão” tornou-se sinônimo de politicamente incorreto e permissividade, o que significa que podemos falar o que pensamos sobre tudo sem nos importarmos se isso ofende alguém, sem medirmos palavras e consequências, sem educação e bom senso. E ser politicamente correto virou caretice  e censura…

Tudo bem que com o grande número de pessoas que são analfabetas funcionais em nosso país é de se esperar que deturpem a beleza da “liberdade de expressão”, mas isso já foi longe demais para mim, pois virou uma piada de mal gosto, daquela carregada de preconceito velado, que diz que é brincadeira quando está apenas destilando veneno. E o pior é que poucos notam ou parecem se importar com isso, talvez porque não querem ser chamados de careta, sem graça, censurador etc.

Pois bem, prefiro o significado original da “liberdade de expressão” e sou contra o politicamente incorreto e não me ofendo nem um pouco se me chamarem de careta, sem graça, chata e cia. já que para mim isso significa ser educada e ter bom senso.

Ser verdadeiro e dizer o que pensa não precisa ser ofendendo, já que o ofender não passa de uma necessidade de esconder uma debilidade, basta analisarmos o objeto da ofensa e o sujeito que ofende, rapidamente perceberemos alguma necessidade de sentir-se superior a outrem, e isso sim que é sinal de um ser bem sem graça.

Devido a isso, sugiro adotarmos um pequeno ritual que devemos seguir antes de falarmos algo:

Pense duas vezes antes de dizer o que deseja, avalie se o que irá dizer é realmente necessário, se fará alguma diferença, ou se não é apenas uma necessidade de espezinhar alguém para se sentir menos pequeno aos olhos de outros ou do mundo – ou de si mesmo.

Acredito que, se praticarmos esse mantra, com o tempo entenderemos que a liberdade de expressão é valiosa e produtiva e não um remédio barato para autoestima.

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Um blog para chamar de meu!

28 jan

Nos últimos meses, vivi num mundo quase hermético e cheio de incertezas, o que me fez refletir bastante. E como sou o tipo de pessoa que gosta de reinventar o que não está agradando, mudei.

Não há como saber ainda se é uma mudança significativa, permanente, melhor etc, mas existe a vontade e foi dado um passo.

Por todo esse 2010 estranho e por um 2011 diferente, resolvi criar um novo blog para chamar de meu, e você está convidado a fuxicá-lo.

 

 

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